POESIA, LETTERATURA, PENSIERI
aprile 2020
AI TEMPI DEL COVID19 - LA FINESTRA
Adesso guardiamo la piazza, la strada, da due finestre diverse. Io alcune cose, lei altre. Il cantiere aperto e sospeso, con i blocchi di pietra che serviranno per i bordi dei marciapiedi, accatastati un po’ storti, senza i parallelismi euclidei, noiosi e banali. Qui sotto la terra per le aiuole stesa per metà, là in fondo già finita, pulita, mancano le panchine. Nessuno pulisce ma non c’è neppure una cartaccia o mozzicone per terra. Le transenne che ogni giorno mangiavano 10 posti di parcheggio, sono ferme, si guardano intorno e non capiscono cosa fanno lì, pezzi di ferro mal verniciati, con ombre rugginose, che non sanno, in crisi d’identità. Passa un cane che porta una donna a passeggiare, tornano dal parco, è il cane che decide il ritmo, si ferma, annusa accuratamente, alza la gamba, poi dà il permesso di proseguire. Figure ferme, a due metri di distanza fra loro, troppo coperte con sciarpe giacconi berretti, quando basterebbe una mascherina. Sulla porta del negozio la raffigurazione del potere, uno che ogni tanto fa un gesto con la mano, entrate, ed un numero, due, tre. Le figure avanzano, sguardo di gratitudine, siamo in piedi da mezz’ora. Sotto la mascherina, il potere sorride condiscendente. Rare auto che passano, diverse ambulanze con la sirena accesa, siamo sulla via che da sud porta al Policlinico.
Brividi, peso.
Il resto è silenzio, non si sente il tacco 12 durante la quarantena, la mandria che andava all’università si è dispersa. Nessuno attraversa più la strada in diagonale, né getta a terra il mozzicone di canna, sospesi i gruppi di cinque che devono per forza stare sulla stessa fila orizzontale e ti guardano male se non ti schiacci contro il muro. Quando sono di buon umore ti danno anche una spallata, devi stare in campana, muscoli pronti per evitare la lussazione. Nessuno grida più nel cellulare o nel vuoto, sperando che le cuffiette senza fili raccolgano le futilità: ma guarda ieri sera dovevo studiare e mi hanno trascinato all’happy hour, poi si è fatta mezzanotte. Oppure: no guarda, il rate di crescita va calcolato coi logaritmi. Questo a voce più alta, perché tutti capiscano che sei un figo. Non c’è la ragazza insignificante che guarda fisso negli occhi un ragazzo così così, lasciandolo parlare e pensando “ma quando smette e mi porta a letto?”. Il primo vantaggio, non ci sono gli studenti. Facile dire che sono giovani, la retorica della gioventù. Non è un attenuante, è un’aggravante. So che Jaques Brel ha scritto la canzone “Les notaires” e Umberto Eco ha lasciato un brano divertente, sostenendo che già ai tempi degli Assiri gli anziani si lamentavano dei giovani, che non avevano rispetto, che facevano risse e correvano dietro alle donne. Ma questi, mi scassano ugualmente.
Passa un altro cane, piccolo, porta fuori una donna vecchia, nessuno dei due aveva voglia di uscire, il cane ha i reumatismi ed invidia il gatto che fa tutto a casa. Ha provato a spiegarlo alla donna ma lei non ha capito, cane è cane gatto è gatto. La vecchia ha una paura fottuta di restarci secca, non si siede, non tocca niente, si guarda in giro continuamente. L’asfalto è pulito, fa freddo e non ci sono per terra ancora le gemme degli alberi. I piccioni continuano a cagarti sulla macchina, indifferenti.
Notte, senza la fila davanti al negozio di alimentari, neanche i ladri.


Nota:
Questo brano sarà anche pubblicato in portoghese nel blog di “Clube de autores” in Brasile, Blog aperto adesso.
I pezzi saranno raccolti in un libro le cui vendite serviranno a pagare i dipendenti della casa editrice, non c’è la cassa integrazione.
Questo editore pubblica il 60% dei libri on line in Brasile.




A JANELA
Agora olhamos para a praça, para a rua, de duas janelas diferentes. Eu algumas coisas, ela outras. O canteiro de obras iniciadas e paradas, com os blocos de pedra que serão usadas nas bordas das calçadas, empilhados um pouco tortas, sem os paralelos euclidianos, chatos e banais. Aqui sob a terra, os canteiros de flores meio espalhados, lá no fundo já terminados, limpos, estão faltando os bancos. Ninguém limpa, mas não há nem lixo nem toco de cigarros no chão. As barreiras que ocupavam 10 vagas do estacionamento todos os dias estão paradas, se olham em volta e não entendem o que estão fazendo ali, pedaços de ferro mal pintados, com sombras enferrujadas, que não conhecem, em crise de identidade. Um cachorro passa e leva uma mulher para passear, voltam do parque, é o cachorro que decide o ritmo, para, fareja com cuidado, levanta a perna e depois dá a permissão para continuar. Figuras imóveis, a dois metros de distância umas das outras, muito cobertas com echarpes, jaquetas e bonés, quando uma máscara seria suficiente. Na porta de entrada da loja, a representação do poder, alguém que ocasionalmente faz um gesto com a mão, deixa entrar um, dois, três. As figuras avançam, um olhar de gratidão, estão em pé há meia hora. Sob a máscara, o poder sorri condescendente. Poucos carros passam, várias ambulâncias com a sirene ligada, estamos na avenida que leva ao Hospital Policlínico.
Calafrios, peso.
O resto é silêncio, não se escuta o repicar dos sapatos de salto alto 12, o rebanho que ia para a universidade se dispersou. Ninguém mais atravessa a rua em diagonal, nem joga no chão as “guimbas” de maconha. Suspenso os grupos de cinco que devem estar necessariamente na mesma linha horizontal e que olham sérios para você se não se esmagar contra a parede. Quando eles estão de bom humor, também lhe dão uma “ombrada”, é preciso ficar firme, músculos prontos para evitar luxações. Ninguém grita no celular ou no vazio, esperando que os fones de ouvido sem fio atinjam a futilidade: mas olha ontem à noite eu tinha que estudar e eles me arrastaram para o happy hour, então era já meia-noite. Ou: sem olhar, a taxa de crescimento deve ser calculada com logaritmos. Isso dito em voz bem alta para que todos entendam que você é o máximo. Não tem a garota insignificante que olha fixa um garoto bem mais ou menos nos olhos, deixando-o falar e pensando: "mas quando ele vai parar de falar e me levar para a cama?" A primeira vantagem, não há estudantes. É fácil dizer que eles são jovens, a retórica da juventude. Não é uma atenuante, é um agravante. Sei que Jaques Brel escreveu a música "Les notaires" e Umberto Eco deixou uma música engraçada, alegando que já nos dias dos assírios os anciões reclamavam de jovens que não tinham respeito. Mas eles me irritam do mesmo jeito.
Outro cachorro passa, porte pequeno, traz uma mulher velha, nenhum dos dois queria sair, o cachorro tem reumatismo e inveja o gato que faz tudo em casa. Ele tentou explicar para a mulher, mas ela não entendeu, cachorro é cachorro, gato é gato. A velha tem um maldito medo de morrer, ela não se senta, ela não toca em nada, e constantemente olha em volta. O asfalto está limpo, está frio e ainda não há brotos de árvores no chão. Os pombos continuam cagando sobre os carros, indiferentes.
Noite, sem a fila na frente do supermercado, nem mesmo ladrões.

Folco de Polzer em 26 de março de 2020, na época do CV19. Uma janela em Milão.

Folco de Polzer, a Milano il 26 di marzo del 2020, ai tempi del CV19.

 
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